O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ofereceu denúncia à Justiça contra o pastor David Gonçalves da Silva, preso desde o dia 17 de abril, acusado de comandar um esquema de abusos físicos, sexuais e psicológicos contra fiéis da igreja Shekinah House Church, localizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
Com base em um inquérito policial com mais de 700 páginas, o líder religioso foi denunciado pelos crimes de estupro de vulnerável contra oito vítimas, tentativa de estupro, tortura e estelionato.
Segundo o MPMA, a instituição religiosa funcionava como fachada para a prática sistemática de crimes.
De acordo com as investigações, David Gonçalves utilizava sua posição de autoridade espiritual para manipular os fiéis, convencendo-os de que atos sexuais praticados com ele não configuravam pecado, sob a alegação de que seria um “representante de Deus na Terra”.
As apurações apontam que muitas vítimas viviam em situação de extrema vulnerabilidade dentro do alojamento mantido pela igreja e não tinham plena consciência dos abusos aos quais eram submetidas.
O inquérito também revelou a adoção de métodos considerados cruéis de punição. Vídeos anexados ao processo mostram situações de exaustão física e castigos impostos aos moradores.
Entre os relatos mais graves está a obrigação de permanecer durante toda a noite em uma piscina, com o corpo submerso e apenas os braços para fora da água.
Além das agressões físicas e dos abusos sexuais, a investigação identificou indícios de omissão de socorro e rígido controle sobre a rotina e a liberdade dos integrantes da comunidade religiosa.
A Shekinah House Church atuava há cerca de 19 anos no Maranhão e possuía ampla estrutura patrimonial, incluindo um haras. Após uma operação realizada em maio, que resultou na retirada dos moradores do local, o imóvel foi alvo de atos de vandalismo.
As investigações prosseguem para apurar a eventual participação de obreiros e outras pessoas ligadas à igreja nos crimes denunciados. O processo tramita sob segredo de Justiça. A defesa do pastor não se manifestou sobre as acusações.
Em nota, a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP) informou que 138 pessoas foram resgatadas da instituição, sendo que 12 permanecem sob acompanhamento especializado. Já o Ministério Público do Trabalho no Maranhão (MPT-MA) prepara uma ação civil pública para apurar possíveis irregularidades trabalhistas identificadas durante as investigações.





